ARQUIDIOCESE
de Pouso Alegre

Carta Pastoral à Arquidiocese de Pouso Alegre - pelo Arcebispo Metropolitano - por Pe. Andrey Nicioli


Viver o Ano da Fé em preparação aos 120 anos de criação da diocese de Pouso Alegre: convite para uma autêntica e renovada conversão ao Senhor, único Salvador do mundo.

SENHOR, AUMENTAI A NOSSA FÉ!

Aos membros do clero e seminaristas, aos religiosos(as) e outros consagrados(as) e a todos os fiéis leigos(as) da Arquidiocese de Pouso Alegre

Com a celebração da festa do Batismo do Senhor iniciamos o Ano Pastoral da Fé em nossa Arquidiocese. Nessa ocasião, é minha alegria saudá-los e abençoá-los, fazendo os melhores votos para que este ano seja enriquecido por muitos frutos pela virtude da fé em si mesma - a faculdade de crer - que é uma graça, um dom de Deus. Conforme é propósito expresso em nosso Plano da Ação Evangelizadora 2017-2020, realizaremos um triênio em preparação ao jubileu dos 120 da criação da Arquidiocese de Pouso Alegre (1900 - 2020), sendo cada ano dedicado a uma virtude teologal, com o propósito de celebrar a presença de Deus na caminhada do seu povo, renovando o compromisso da construção do Reino anunciado por Jesus. Queremos ser discípulos missionários de Jesus Cristo no Sul de Minas, redescobrindo o caminho da fé para fazer brilhar, com evidência sempre maior a alegria e o renovado entusiasmo do encontro com Cristo. 

Convido, pois, todo o povo da Arquidiocese a acolher este ano como um dom de Deus e uma tarefa posta em nossas mãos, para a realização de nossa missão, como membros da Igreja e da comunidade humana em que vivemos. Podemos sentir de novo a necessidade de, como a samaritana, ir ao poço, para ouvir Jesus que convida a crer nele e a beber na sua fonte, donde jorra água viva (cf. Jo 4,14). 

A partir das decisões da 9ª Assembleia Arquidiocesana de Pastoral assumimos levar avante a missão do dia a dia da vida da nossa Igreja "em saída", as prioridades pastorais: Comunidade de fé em estado permanente de missão; Comunidade de Fé a serviço das Famílias; Comunidade de Fé a serviço da Vida Plena para todos. Nossa tarefa é evangelizar a partir de Jesus Cristo. 

Hoje, quinta-feira santa, é um dia de particular comunhão com o presbitério. Dia em que partilhamos juntos a oração, os anseios pastorais, as esperanças, a fim de encorajar o povo de Deus a viver, testemunhar e transmitir a fé católica, mesmo em meio a tantas dificuldades. Escolhi este dia para apresentar esta carta com a intenção de dar grande importância à Pastoral do Batismo, à Catequese, à Liturgia e à Pastoral da Família em nossa Arquidiocese, que nos inspiram sobretudo naquela fonte viva, que é o nosso comum amor a Cristo e à sua Igreja. Atento-me, pois, a estas pastorais conhecidas e desejo, com a presente Carta, tocar somente alguns pontos que me parecem de importância neste momento da história da nossa Igreja particular. 

Percorrer caminho e fazer memória

À luz das prioridades pastorais gostaria que neste "Ano da Fé" percorrêssemos um caminho para fortalecer ou reencontrar a alegria da fé; incentivar os mais novos para a formação da fé e comunicá-la de mil maneiras a tantos que dela andam afastados. Educar na fé é ensinar vida. Portanto, o Papa Emérito Bento XVI nos exorta que a "fé num Deus que é amor e que se fez próximo do homem, encarnado e doando-se a si mesmo na cruz para nos salvar e reabrir as portas do Céu, indica de modo luminoso que a plenitude do homem consiste unicamente no amor. Animados pelo amor que vem de Deus conseguiremos ver a cidade onde habitamos com olhos da fé e da esperança. A fé é o acolhimento do amor transformador de Deus na nossa vida. Pela fé muitos cristãos se fizeram promotores de uma ação em prol da justiça, para tornar palpável a Palavra do Senhor, que veio anunciar a libertação da opressão e um ano de graça para todos" (Porta Fidei, 13).

A ação mais importante e fecundo dos primeiros cristãos foi, a partir de experiência que nasce do encontro pessoal com Jesus Cristo, testemunhar com a própria vida que Deus existe. Os pagãos se sentiam atraídos pela beleza da fé cristã e pela caridade com que viviam os primeiros cristãos, e chegavam a dizer: "Vede como se amam" (Tertuliano, Apol., 39). Com entusiasmo, criatividade e paixão, precisamos fazer com que a beleza e a centralidade da fé cheguem até as pessoas que não conhecem Jesus Cristo. 

Ninguém pode entrar no Reino de Deus se não nasce da água e do Espírito (Jo 3,5)

"O batismo, porta da vida e do Reino, é o primeiro sacramento da nova Lei que Cristo instituiu para que todos possam alcançar a vida eterna, e, em seguida, confiou à sua Igreja juntamente com o Evangelho, quando ordenou aos apóstolos: "Ide e ensinai a todos os povos; batizai-os em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo" (Mt 28, 19). 

Assim, o batismo é, antes de tudo, o sinal daquela fé com a qual os seres humanos respondem ao Evangelho de Cristo, iluminados pela graça do Espírito Santo (Cf. Ritual do Batismo de Crianças, 3). A Pastoral do Batismo na Arquidiocese precisa abrir nossas mesntes e corações para o itinerário da iniciação cristã. É importante que as comunidades eclesiais assumam o catecumenato como caminho renovador da evangelização dos fiéis afastados ou distantes da fé e da comunidade. A comunidade cristã exerce uma função maternal ao acolher os batizados que procuram se integrar a ela. A ação evangelizadora envolve, portanto, um acompanhamento especial, tanto no anúncio missionário como nas celebrações litúrgicas e na vida familiar e social dos batizados. 

Os nossos agentes da Pastoral do Batismo acompanham as famílias, os padrinhos e responsáveis pela criança que pedem ou buscam o batismo, indo às casas das famílias para realizar, com uma catequese batismal, os encontros de preparação. Constitui este momento num ato de acolhida, pois trata-se de escutar, compreender e dialogar com tatno e confiança, para se celebrar uma festa adequada pelo nascimento ocorrido. O agente da Pastoral do Batismo é uma pessoa adulta na fé que, devidamente preparada, ajuda as famílias a fazerem um itinerário de comunhão eclesial e a se sentirem corresponsáveis com a missão de educar na fé o novo cristão. É a etapa evangelizadora e missionária desta pastoral que culmina na apresentação da criança à comunidade cristã com a celebração do Batismo, no qual se celebra o mistério do amor Trinitário pelos homens. A comunidade é o lugar onde a fé nascente do batizado cresce e se desenvolve até se tornar adulta. 

A Pastoral do Batismo tem em germe o caráter de uma "Igreja em saída", na expressão do Papa Francisco. É bem verdade que a estratégia, por si só, não realiza o modelo de Igreja pedido pela Assembleia Arquidiocesana, se pastores e catequistas não tomarem essa pastoral com "espírito de corpo" e não renovarem periodicamente ume nvio formal e fervoroso, para evitar cair numa burocracia meramente "sacramentalista". Com o devido respeito às situações diferentes recomendo orientar os pais, com caridade e firmeza, a respeito do dia do batismo para que não seja escolhida ao acaso ou ao capricho da famílias ou até mesmo a uma organização paroquial; mas sejam escolhidos com cuidado, com base em sua referência ao evento batismal. Que se trate de dias liturgicamente e teologicamente afins ao mistério do batismo. 

Aos nossos agentes da Pastoral do Batismo agradecemos toda a colaboração na educação da fé dos novos cristãos às nossas comunidades. 

A fama da fé que vocês têm se espalhou pelo mundo inteiro (Rm 1, 8b)

A catequese como seu próprio nome sugere, "faz ecoar" a Palavra de Deus, orienta o catequizando a fazer sua própria experiência de Deus nos acontecimentos, a viver sua fé em comunidade, numa contínua conversão, num itinerário de formação que o faça não só conceber intelectualmente as verdades de fé, mas que o encaminhe para um verdadeiro discipulado, ajudando-o a viver a vida da graça alimentada pelos sacramentos. Uma catequese que é permanente, evangelizadora, profética e misericordiosa, que contribui para o desenvolvimento da pessoa em sua integralidade; que caminha com ela e que a ajude a fazer sua própria experiência de Deus, numa interação entre fé e vida. 

Na nossa Arquidiocese a Comissão Bíblico-catequética busca assumir as prioridades pastorais com o anúncio da boa nova. Todo processo catequético está voltado para a evangelização, pois Cristo é o centro da catequese e todo seu ensinamento conduz à conversão, ao seguimento e à opção por Jesus que nos revela o Pai, nos Espírito Santo. Um dos grandes desafios da atualidade é a crise estrutural e de fé pela qual as famílias estão passando sendo, portanto, importante criar estratégias de ação pastoral integradas e efetivas para apoiá-las, pois, não se pode abrir mão da importância dessas no processo de educação na fé. Envolvendo as famílias na evangelização de seus membros, a catequese contribui para que todos sejam transformados e colham os benefícios da evangelização. A catequese é transformadora e libertadora. Leva o catequizando a ter uma consciência crítica da realidade, à luz da Palavra de Deus presente em todos os encontros, ajudando-o a encontrar as causas das injustiças e a transformar essa situação; incentivando a comunhão e a participação, bem como sensibilidade ao sofrimento dos pobres e excluídos. 

Diante de tantos desafios da ação evangelizadora, a catequese abraça com entusiasmo e coragem a sua "missão evangelizadora", criando condições para que os adultos possam vivenciar sua fé, fazendo uma opção mais consciente por Jesus Cristo, atuando como verdadeiros cristãos na comunidade e na sociedade; para que os jovens, os adolescentes e as crianças, sejam iniciados na fé cristã, caminhem para a maturidade de sua fé, cresçam como pessoas nas dimensões: afetiva, sexual, familiar, espiritual e vocacional. 

Toda essa intensa atividade catequética requer cuidado especial com a formação do catequista, propondo-lhe reflexões sobre o ser do catequista, o saber e o saber fazer na catequese, a fim de torná-lo um verdadeiro mistagogo, ou seja, aquele que conduz para o mistério, que transforma pela palavra e pelo testemunho. Para que as comunidades sejam renovadas, devem ser casa de Iniciação à vida cristã, onde a catequese há de ser uma prioridade. "Um dos grandes desafios da pastoral paroquial é fazer com que os membros das comunidades cristãs percebam o estreito vínculo que há entre Batismo, Confirmação e Eucaristia " (CNBB, Doc. 100, Comunidade de Comunidades, uma nova Paróquia, 268). Nessa direção, todos necessitamos de uma renovação cristã. Por isso é que surgem na Arquidiocese grupos de pessoas que, ao reviver a experiência catecumenal na inciação à vida cristã, foram tambpem inspiradas em fazer esse mesmo caminho de fé para os já batizados que necessitam de recuperar a dimensão de fé de suas vidas. 

Aos nossos catequistas, agradecemos toda a colaboração na educação da fé das nossas comunidades. 

Eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, no partir do pão e nas orações (At 2, 42)

Celebramos a fé na Liturgia. Entendemos que a Liturgia é a fonte, a depositária e a transmissora da fé por excelência! Se desde o início a Igreja celebra o que crê e crê o que celebra, cada celebração litúrgica, especialmente a celebração eucarística, é uma autêntica profissão de fé em Jesus Cristo e no seu projeto de vida e amor, já que no seu centro está o mistério pascal. Sendo assim, a liturgia faz o verdadeiro cristão. Participando da assembleia litúrgica na condição de iniciados, nos descobrimos como o corpo de Cristo que ora ao Pai na força do Espírito Santo. Partilhando da mesma e única fé professada pela Igreja, na liturgia amadurecemos nossa adesão a Jesus Cristo, ouvindo a sua Palavra, participando da comunhão no seu Corpo e no seu Sangue, e sentimo-nos enviados ao mundo como testemunhas do seu Reino. Por isso, cremos que a liturgia é o ponto mais alto para onde converge e, ao mesmo tempo, a fonte de onde brota toda a vida cristã (cf. SC 10). Ela dá a cada cristão a experiência mais radical da fé, que não se limita à teologia ou ao discurso, mas é sentida, rezada, amadurecida e transmitida ao mundo, quando transformada em vida. 

A fé alimenta-se a cada hora, nas várias circunstâncias do dia, da semana e durante todo o ano. As Horas são expressão da fé. Portanto, a Liturgia das Horas alimenta e fortalece a fé. Podemos dizer que a oração é o exercício maior da fé, no qual reconhecemos Deus como Criador, Senhor e Pai, e a nós como criaturas, servos e filhos. Celebremos a Liturgia das Horas se possível comunitariamente na igreja, ou com os demais grupos de fiéis, pois, por sua natureza é uma celebração da Igreja. É a celebração da comunidade cristã vivendo o mistério pascal de Cristo Senhor (cf. IGLH, 21-22). 

Cuidemos do domingo, da sua santificação e do valor da sua celebração como festa pascal, acolhendo com alegria festiva todos aqueles que se aproximam da celebração eucarística, dada a complexidade da fé na situação cultural da nossa região. Nessas celebrações encontramos não só iniciados e cristãos formados, mas também outras categorias reconhecidas em suas diferenças. Que saibamos acolher e atender a todos e a cada um de modo especial. 

Consideremos com zelo as comunidades que celebram o domingo na ausência do sacerdote, confiando aos leigos responsáveis o valor positivo dessas celebrações da Palavra. 

O domingo é o dia da fé. O santo João Paulo II, no documento sobre a santificação do domingo, salienta que a liturgia dominical, como de resto a das solenidades litúrgicas, prevê a profissão de fé. O "Credo', recitado ou cantado, põe em relevo o caráter batismal e pascal do domingo, fazendo deste o dia em que, por título especial, o batizado renova a própria adesão a Cristo e ao seu Evangelho (cf. Dies Domini, 29). Por isso, é da máxima importância que seja valorizada plenamente, por todo o povo nas paróquias, a participação na celebração Eucarística dominical. 

Às nossas equipes de liturgia agradecemos toda a colaboração na educação da fé das nossas comunidades ao prepararem as celebrações considerando a participação plena consciente e ativa de todo o povo (cf. SC, 14). 

Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e jantarei com ele e ele comigo (Ap 3, 30)

Para bem vivenciar a alegria deste ano jubilar, nossa Igreja particular convida a todos os cristãos e cristãs católicos a voltarem seu olhar para a família com olhar de misericórdia, fé e cuidado. Nossas famílias enfrentam desafios muitas vezes superiores às suas forças e capacidades de superação. Por isso necessitam de luzes e orientação. Então, buscamos na Palavra de Deus e na Tradição da Igreja elementos para auxiliar as famílias na difícil arte de evangelizar seus membros. 

A família é a primeira escola da fé (cf. DAp., 302). O caminho para reafirmar nosso compromisso de fé na sacralidade da família é orientar, acolher e cuidar de nossas famílias. Nossa missão é convencer as famílias a lutarem por manter a união, a fraternidade e o diálogo dentro dos lares. Existem grandes desafios da fidelidade no amor conjugal, do enfraquecimento da fé e dos valores, do individualismo, do empobrecimento das relações, do stress que marcam a vida familiar. 

O empenho cotidiano na educação da fé e à vida boa e bonita do Evangelho é tarefa da família que se apresenta como autêntica Igreja doméstica, que se alarga à comunidade eclesial numa participação ativa e consciente. Participar, sobretudo dos sacramentos, que são sinais de salvação na vida de nossas famílias. Destacamos a Reconciliação e a Eucaristia como caminhos de unidade e vivência do amor na família. A Reconciliação que nos mostra o valor do perdão como experiência profunda de amor, de respeito e diálogo. A Eucaristia dominical quando, com toda a Igreja, a família se senta à mesa com o Senhor. Nessa escola da partilha, comunhão e doação, a família mantém viva a chama da fé. Sem esses valores torna-se impossível manter a sacralidade da família. 

O testemunho de vida, tão raro em nossos tempos, é preciso não esquecer: "as pessoas escutam mais as testemunhas que os mestres e, se escutam os mestres, é porque estes antes de tudo são testemunhas" (Papa Paulo VI). Os pais devem ser verdadeiras testemunhas para os seus filhos, no sentido de cultivarem seus valores como a justiça, a paz e a caridade. Ainda mais ser testemunhas da fé, ensinando seus filhos a amarem Deus sobre todas as coisas, para que, juntos, possamos todos entrar no coração do Evangelho e aprender a seguir Jesus na nossa vida. 

Recomendamos a oração frequente em família. A "família que reza unida, permanece unida". A recitação do Santo Terço é uma forma valiosa de se aproximar de Deus, meditando os mistérios centrais da vida de Jesus, pela intercessão da Virgem Maria. Outras formas de oração: antes de dormir, nas refeições, ao se levantar, nos lembram a bondade de Deus que é generoso e nos oferece tantos dons. Rezar um trecho da Bíblia com a família é uma excelente oportunidade de se conhecer a vontade de Deus e concretizá-la na vida. Uma experiência gratificante é tomar os salmos e identificar a nossa vida e a vida de nossa família, da comunidade e de toda humanidade. Nos salmos encontramos a história da humanidade, a história de cada um de nós. Podemos dizer que os salmos evocam e expressam o mistério de Cristo. Rezem os salmos em família porque a linguagem dos salmos traduz uma vida profundamente mergulhada em Deus. Os salmos traduzem santidade.

A família cristã, marcada pelo amor, pela fidelidade e pelo casamento indissolúvel deve ser uma comunicadora da fé e da oração, chamada a ser defensora e promotora da vida, bem inserida na sociedade e na Igreja, atenta à qualidade dos relacionamentos para além da economia do próprio núcleo familiar. É necessário despertar nas famílias, nos movimentos de espiritualidade conjugal e familiar, e nas diversas pastorais que contemplam a família, um interesse e estudo do capítulo 9 do Documento de Aparecida que tem um olhar sobre a vida familiar. 

Recomendo promover uma reflexão e um compromisso com as famílias em nível paroquial ou setorial a partir da Exortação Apostólica Amoris Laetitia, do Papa Francisco, para que possa ser empreendido um itinerário sobre a vida concreta das famílias, com iniciativas no plano paroquial e arquidiocesano. Recomendo a atenção e acompanhamento a casais que vivem em situação irregular e especialização de agentes pastorais. 

É de fundamental importância em nossa Pastoral Familiar o cuidado em preparar, formar e evangelizar de modo permanente as nossas famílias, de tal maneira que se convertam em evangelizadoras (cf. DAp 302; 437), favorecendo um novo ardor missionário, para que muitas pessoas abracem esta causa com fé, esperança e entusiasmo, "confiados à graça do Senhor". 

À Pastoral Familiar, aos movimentos de espiritualidade conjugal e familiar, agradecemos toda a colaboração na educação da fé das nossas comunidades e por fazerem de nossas famílias espaços de seguimento de Jesus. 

Antes de encerrar esta carta, voltemos nosso olhar para São Sebastião, Padroeiro de nossa Arquidiocese. Dele temos muito a aprender. A fortaleza para superar os diferentes tipos de dificuldades e situações foi um traço que marcou a sua vida. E ele nos anima a ter o mesmo espírito de confiança total em Deus e audácia cristã para fazer da vida uma caminhada segura rumo à felicidade. São Sebastião é um exemplo de coragem ante os obstáculos da vida e fidelidade mesmo diante das contrariedades e perseguições. É exemplo de homem que testemunhou a fé católica e foi anunciador da misericórdia de Deus. Para além da credibilidade conhecemos de seu martírio o cuidado da senhor cristã, Irene, que o encontrou vivo após as flechadas e levou-o para casa e cuidou dele. Assim também, como a outra senhora Lucina que, após flagelo até a morte, recuperou o corpo de São Sebastião e lhe rendeu as homenagens de uma sepultura cristã. Por esta narrativa podemos entrever a práxis cristã daquela época. A comunidade colocava à disposição os seus recursos para sustentar os irmãos perseguidos, visitando-os no cárcere, assistindo-os nos tribunais, providenciando a sepultura e venerando sua memória (cf. Pele, Enrico. "Mártires do Calendário Romano", Ave Maria, São Paulo, 2008, p. 43-44).

Com entusiasmo, criatividade e paixão precisamos fazer com que a beleza e a centralidade da fé cheguem até as pessoas que não conhecem Jesus Cristo. Seja a renovação da fé uma prioridade, um compromisso de toda a Igreja arquidiocesana nos nossos dias. Vamos honrar a herança recebida daqueles que já nos precederam na fé, atravessaram tantas dificuldades e crises, e continuaram firmes e perseverantes na fé, "com os olhos fixos em Jesus Cristo". 

Possa o Jubileu dos 120 anos de criação da nossa Arquidiocese ser enriquecido com o testemunho de tantos discípulos missionários de Jesus Cristo. Que esta missão se torne concreta e dinâmica em cada paróquia!

Coloquemo-nos nas mãos de Deus com total confiança. Pouco a pouco podemos ir experimentando como sua Palavra, seu Amor e sua Promessa de salvação se vão realizando em nossas vidas. Que nos acompanhe a Virgem Maria que acolheu com fé a Palavra de Deus. Com dificuldades ("Como se fará isso?...), com perturbação e medo ("Não temas, Maria"), ela consente em cumprir a vontade de Deus em um primeiro abandono de fé. 

Rezem por mim, que lhes escrevo esta Carta Pastoral,a fim de que eu seja forte na fé. 

Deus abençoe a todos!

Pouso Alegre, 13 de abril de 2017

Por ocasião da Quinta-feira Santa

Dom José Luiz Majella Delgado - C.Ss.R. - Arcebispo Metropolitano

 

 

 

Publicado no dia 11/05/2017