ARQUIDIOCESE
de Pouso Alegre

Seminário celebra sua Padroeira. Leia homilia de Dom Majella! - por Pe. Andrey Nicioli


Uma missa na manhã desta segunda-feira, 22, reunindo parte do clero da Arquidiocese de Pouso Alegre, marcou as celebrações da padroeira do Seminário Arquidiocesano, Nossa Senhora Auxiliadora. A Eucaristia foi presidida pelo Arcebispo Metropolitano, Dom José Luiz Majella Delgado - C.Ss.R. O seminário, que este ano celebrará 118 anos, foi fundado no dia 8 de setembro de 1899. 

Em sua homilia, o Arcebispo relembrou a necessidade do sacerdote agradecer e renovar todos os dias o dom da vocação.

"Portanto, renovemos hoje na festa do nosso querido Seminário e todos os dias o sentimento de que tudo é gratuito. “Todos os dias”. O segredo do sacerdote é sê-lo verdadeiramente “todos os dias”. O presbítero foi escolhido para tecer o tapete da vida não do seu jeito, mas do jeito da Igreja e da Palavra de Deus. Ser padre todos os dias é viver de maneira autêntica o seu ministério e a sua vida, o seu crescimento espiritual e pastoral, através do desempenho de suas tarefas, de modo sincero, incansável, totalmente doado, no Espirito de Cristo. Todas as tarefas do sacerdote devem ser realizadas em íntima comunhão com o bispo diocesano e o Presbitério (PO, 13; LG, 41)", afirmou.

Dom Majella também lembrou que a vida do presbítero se pauta pela Palavra, pois somente assim terá condições de anunciar a Palavra com verdade e coragem.

"O presbítero tem a tarefa de evangelizar e ensinar. Ele é o responsável pela Palavra de Deus. Deve lê-la todos os dias, escutá-la, rezá-la, e só então anuncia-la àqueles aos quais têm o dever de ensinar. A pregação do presbítero deve ser alimento para o povo de Deus, e a vida do presbítero, pautada pela Palavra de Deus. Isso supõe estudo constante da Palavra e formação permanente. Pelo ministério o presbítero tem a tarefa de santificar para a edificação. Na edificação da Igreja, porém, os presbíteros devem tratar todos com grande humanidade, a exemplo do Senhor (cf. PO 6); devem ser “testemunhas e dispensadores duma vida diferente da terrena, vivendo neste mundo entre os homens e, como bons pastores, que conheçam as suas ovelhas e procurem trazer aquelas que não pertencem a este redil” (PO 3). A tarefa de santificar leva o presbítero a abraçar a cruz do dia a dia, doando sua vida em favor de mais vida para todos, sobretudo dos mais pobres e necessitados", disse.

Preparando a festa desta segunda-feira, o Seminário realizou um tríduo, que contou com a participação de padres da Arquidiocese. Presidiram e concelebraram os padres: Andrey Cássio Nicioli Silva e Marcos Vinícius da Silva (1º dia); Lucas da Silva Crispim e Jésus Andrade Guimarães; e Dom Ricardo Pedro Chaves Pinto Filho - Opraem (3º dia). 

Leia a homilia de Dom Majella

 

Queridos padres e seminaristas

Estimados benfeitores e amigos do

Seminário Arquidiocesano Nossa Senhora Auxiliadora

Celebramos a festa do nosso Seminário sob a proteção da Virgem Maria com o título de Nossa Senhora Auxiliadora. A leitura do evangelho nos traz a cena das Bodas de Caná onde encontramos Maria, Jesus e os discípulos participando do banquete nupcial. O vinho vem a faltar. Maria leva a Jesus a situação e pede ajuda. Pede-a com plena confiança e esperança de que o seu Filho faria o milagre. Por isso, dirige-se aos serventes recomendando-lhes que façam o que Jesus lhes mandar. Vislumbramos aqui um aspecto da missão de Maria, ser intercessora, auxiliadora. Uma missão que nasce do “estar com Jesus”. Também nós, que aqui estamos recebemos o mandato missionário do Senhor que compreende o apelo para o crescimento quando indica que devemos observar tudo o que Ele nos ensinou (cf. Mt 28,20). A nossa vida é um caminho de formação e amadurecimento na fé. Estando nesta casa reavivamos o processo formativo recebido e aprimorado. É pela fé que acreditamos que foi Deus quem nos escolheu (cf. Jo 15,16).

Portanto, renovemos hoje na festa do nosso querido Seminário e todos os dias o sentimento de que tudo é gratuito. “Todos os dias”. O segredo do sacerdote é sê-lo verdadeiramente “todos os dias”. O presbítero foi escolhido para tecer o tapete da vida não do seu jeito, mas do jeito da Igreja e da Palavra de Deus. Ser padre todos os dias é viver de maneira autêntica o seu ministério e a sua vida, o seu crescimento espiritual e pastoral, através do desempenho de suas tarefas, de modo sincero, incansável, totalmente doado, no Espirito de Cristo. Todas as tarefas do sacerdote devem ser realizadas em íntima comunhão com o bispo diocesano e o Presbitério (PO, 13; LG, 41). O presbítero tem a tarefa de evangelizar e ensinar. Ele é o responsável pela Palavra de Deus. Deve lê-la todos os dias, escutá-la, rezá-la, e só então anuncia-la àqueles aos quais têm o dever de ensinar. A pregação do presbítero deve ser alimento para o povo de Deus, e a vida do presbítero, pautada pela Palavra de Deus. Isso supõe estudo constante da Palavra e formação permanente. Pelo ministério o presbítero tem a tarefa de santificar para a edificação.

Na edificação da Igreja, porém, os presbíteros devem tratar todos com grande humanidade, a exemplo do Senhor (cf. PO 6); devem ser “testemunhas e dispensadores duma vida diferente da terrena, vivendo neste mundo entre os homens e, como bons pastores, que conheçam as suas ovelhas e procurem trazer aquelas que não pertencem a este redil” (PO 3). A tarefa de santificar leva o presbítero a abraçar a cruz do dia a dia, doando sua vida em favor de mais vida para todos, sobretudo dos mais pobres e necessitados. Doar a vida a serviço do povo de Deus. Doar-se significa sair de si mesmo para ir ao encontro do outro. A vida nos é dada para que doemos. E como diz o Papa Francisco: “Na doação, a vida se fortalece, e se enfraquece no comodismo e no isolamento” (EG 10). O presbítero, guiado pela fé, tem a tarefa de apascentar o povo de Deus. Para isso precisa no dia a dia cultivar a ascese própria do Bom Pastor e do Servo de Javé (Is 49-50) renunciando a vantagens pessoais, não procurando o que lhes é útil e agradável, mas o útil e necessário para a salvação do povo de Deus que lhe é confiado. Entra aqui o exercício constante da caridade pastoral: ir à frente do povo para indicar a estrada e sustentar a esperança, manter-se no meio de todos com a sua proximidade simples e misericordiosa e, em certas circunstâncias, deverá caminhar atrás do povo, para ajudar aqueles que se atrasaram (Cf. EG 31).

Em poucas palavras: o ministério presbiteral, ordenado inteiramente à evangelização, tem a sua fonte e o seu complemento na celebração da Eucaristia, possivelmente diária. Todos os dias se deve recomeçar a amar. Lembra-nos o Papa Francisco de que “todos os dias se deve aprender a arte de amar, todos os dias se deve seguir com paciência a escola de Cristo, com a ajuda de seu Espírito”. Caros seminaristas vivam os aspectos da sua vida aqui no Seminário todos os dias com responsabilidade e gratuidade. O que fazer todos os dias? Entrar no processo de formação com compromisso e transparência. Penso que a ação formativa desta nossa casa está bem definida na passagem bíblica que diz: “Não tencionamos dominar a vossa fé, mas colaborar para que tenhais alegria; é pela fé que estais firmes” (2Cor 1,24). A sinceridade deve pulsar em suas ações. Deus chamou vocês e com coragem e fé responderam ao chamado deixando suas famílias.

Aqui no Seminário precisam todos os dias escutar Deus. É Deus quem fala. Por isso devem dizer: “Fala, Senhor, que vosso servo escuta” (1Sm 3,1-10). Você veio para o Seminário para ouvir, ver, compreender e discernir a clareza e força deste chamado. Aqui no Seminário você tem Deus que está agindo, abra o seu coração, joga fora os preconceitos e as resistências para entrar no jogo de Deus e deixa-lo agir em sua vida. Toma consciência da identidade do presbítero e da missão que deseja abraçar. Todos os dias responda para si mesmo: quem sou eu e quem é Deus que me chama e me envia com uma grande missão, como diz o profeta Jeremias 1,10: “Vê! Eu te constituo, neste dia, sobre as nações e sobre reinos, para arrancar e para destruir, para exterminar e para demolir, para construir e para plantar”. Adequar sua vida ao projeto de Deus com fidelidade deve ser não uma regra de vida, mas o motivo, algo que alimenta, sustenta e alegra a sua vida diária como seminarista.

Hoje, aqui nesta casa, onde praticamente passou e continua a passar todo o nosso presbitério e que nos faz ser protagonistas da Igreja particular de Pouso Alegre, façamos acontecer uma igreja que se lança, que vai ao encontro dos pobres, em “saída”, misericordiosa, humilde, simples e dos sentimentos de Jesus Cristo, onde todos estejamos cheios de fé e abertos à ação do Espírito Santo. Que Maria, nossa Mãe, modelo de virtudes, Auxílio dos cristãos, nos ajude a sermos sempre mais dóceis ao Espírito Santo, para aprender todos os dias a nos amarmos como Jesus nos ama. Amém.    

 

 

Dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R.

Arcebispo Metropolitano de Pouso Alegre                                                       

 

 

 

 

 

 

 

 

Publicado no dia 23/05/2017